Ex-secretários são indiciados por interferência na eleição em Parintins

Parintins

Reunião entre secretários de estado, presidente da Cosama e policiais foi gravada (Foto: Reprodução

A Polícia Federal indiciou cinco agentes públicos pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral e abolição do Estado Democrático de Direito na eleição de 2024, em Parintins (município a 363 quilômetros de Manaus). O inquérito foi enviado nesta quarta-feira (27) ao MPE (Ministério Público Eleitoral), que adotará as medidas cabíveis.

Marcos Apolo Muniz de Araújo (ex-secretário de Estado de Cultura), Fabrício Rogerio Cyrino Barbosa (ex-secretário de Estado e Administração), Armando Silva Do Valle (ex-diretor da Cosama), Jackson Ribeiro Dos Santos (comandante da Rocam) e Guilherme Navarro Barbosa Martins (comandante da COE) foram alvo da Operação Tupinambarana Liberta, em outubro de 2024.

A investigação apontou que o grupo criminoso usou parte da estrutura do governo estadual, inclusive com apoio de membros da força policial, para favorecer uma chapa que concorria à Prefeitura de Parintins. As práticas identificadas envolvem compra de votos e ações voltadas a impedir o livre exercício do direito ao voto.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que analisará os elementos apresentados e decidirá pelas medidas judiciais cabíveis.

Reunião gravada

A investigação foi iniciada em razão de notícia de fato apresentada pelo Ministério Público Eleitoral em Parintins à Polícia Federal no dia 16 de setembro de 2024. A PF apurou indícios de ameaças de líderes comunitários ligados a uma facção criminosa nacional de tráfico de drogas proibindo o acesso de candidatos à prefeitura a certos bairros, bem como vedação de circulação em determinadas localidades.

Foram colhidos indícios acerca da possível inércia de agentes públicos para coibir tais ameaças em prol de uma candidatura à Prefeitura de Parintins. As ações coordenadas do grupo criminoso teriam promovido a espionagem de pessoas ligadas a um grupo político do município e também monitorado o deslocamento de policiais federais com a finalidade de frustrar a atuação da Polícia Federal. 

A PF também se baseou nos vídeos publicados em redes sociais em que os três suspeitos aparecem conversando sobre usar a Polícia Militar para influenciar diretamente nas eleições em Parintins, mediante diversas condutas escusas e formas ilegais de atuação.

A operação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar no Estado do Amazonas no acompanhamento da execução em face dos policiais militares envolvidos.

Os secretários e o diretor da Cosama foram exonerados pelo governador Wilson Lima em outubro de 2024 para “garantir a lisura das investigações”. Em nota, o governo comunicou que a medida tinha objetivo de “permitir que os citados se defendam de forma isonômica e justa”.

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