Estiagem no Amazonas: nível do Rio Negro ameaça navegação e Super Terminais tentam garatir abastecimento

Amazonas

O Rio Negro continua marcando uma rápida retração do seu volume em Manaus, registrando a cota de 18,59 metros no Porto de Manaus. O índice está 3,85 metros abaixo do observado na mesma época em 2025 (22,44 metros), embora permaneça 6,48 metros acima da marca histórica de 2024 (12,11 metros). Apenas ao longo do mês de setembro, o rio perdeu 5,21 metros de profundidade, influenciado pelos efeitos do fenômeno El Niño e pelo déficit contínuo de precipitação na região.

A rápida descida das águas reflete a severidade da estiagem no Amazonas. Ao todo, 22 dos 62 municípios amazonenses decretaram situação de emergência, entre eles Coari, Tefé, Manacapuru, Tabatinga e Maués. Outras 18 cidades estão sob status de alerta e 13 em estado de atenção, deixando apenas nove municípios em situação de normalidade sazonal. A estimativa é de que a estiagem e o isolamento de comunidades ribeirinhas possam afetar até 648 mil pessoas no estado.

Diante do agravamento das calhas dos rios, os municípios afetados estão mobilizando planos emergenciais para garantir o transporte de suprimentos e alimentos até populações isoladas. Estruturas temporárias de acostagem, dragagem de trechos críticos e adaptação das rotas de navegação fluvial vêm sendo adotadas por prefeituras e empresas locais para evitar a interrupção total do abastecimento de insumos básicos e combustíveis.

Paralelamente, no setor de logística, o Super Terminais iniciou na sexta-feira a transferência de um módulo flutuante de 600 toneladas de Manaus para Itacoatiara. O projeto de R$ 70 milhões visa adaptar o transbordo de cargas ao calado mais profundo do Rio Amazonas durante o pico da vazante, reduzindo impactos nas rotas da Zona Franca de Manaus e minimizando a necessidade de dragagens agressivas.

Para conter os danos e prestar assistência imediata, o Governo do Amazonas oficializou o decreto de emergência por 180 dias e acionou um comitê de enfrentamento às mudanças climáticas.

Entre as medidas operacionais já implementadas, o estado enviou 167 kits de purificação e tratamento de água potável às calhas mais atingidas. A medida visa conter o desabastecimento de água própria para consumo nas calhas dos rios Solimões, Negro, Juruá e Purus, além de agilizar a compra direta de insumos, medicamentos e apoio logístico de emergência.

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