Longa dirigido por Ana Lígia Pimentel entra em cartaz neste dia (23) no Casarão de Ideias
O filme “Sete Cores da Amazônia” faz sua estreia comercial oficial em Manaus nesta quinta-feira (23), às 19h, na sala de cinema da Casa Amarela, localizada no Centro Cultural Casarão de Ideias. Dirigido por Ana Lígia Pimentel, o longa rompe um hiato de quase uma década sem produções integralmente do estado no circuito comercial da capital.

Poster do filme (Imagem: Queima Filmes/Ligia Pimentel)
A entrada da obra em cartaz representa um forte movimento de afirmação cultural e de ocupação de espaço para o audiovisual da região. Historicamente, há uma escassez de filmes amazonenses nas salas de exibição locais e nacionais, cenário em que os últimos lançamentos comerciais de destaque pontual foram “A Floresta de Jonathas” (2013) e “Antes o Tempo Não Acabava” (2017).
Antes do grande reencontro com o público manauara, o projeto construiu uma sólida trajetória nacional e internacional. Contemplada no Edital Prêmio Feliciano Lana em 2020, a obra circulou por eventos de peso, como o Mambe Festival na Colômbia, o Montreal Independent Film Festival, a Glocal Experience Amazônia e a prestigiada Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
A obra: pertencimento e ancestralidade
Baseado na premiada HQ homônima de Ademar Vieira, lançada em 2018 pelo estúdio Black Eye, o longa-metragem de 79 minutos é uma obra de ficção dramática impulsionada por um elenco 100% amazonense. A trama de classificação livre acompanha a jornada de Sarah (Maria Zen), uma menina moradora de uma comunidade de palafitas na periferia de Manaus, que vive em situação de vulnerabilidade e desconectada de suas origens.
Sua vida se transforma radicalmente ao conhecer a avó, Ceucy (Petta Catão), no interior do estado. Esse encontro atua como um pilar de sabedoria ancestral que conduz a jovem a um profundo processo de “retorno para casa” e reconexão com suas raízes indígenas. A narrativa é complementada pelas atuações de Sissy Mendes, Geiberson Teixeira e Uyra Sodoma, que adicionam camadas de ativismo à performance.
Colocando a floresta como pano de fundo e elemento vivo e central, o filme traz um debate urgente sobre decolonialidade, identidade e o crescimento urbano. Em uma crítica sutil a esse apagamento histórico da própria identidade, a diretora Ana Lígia Pimentel reflete que Manaus “cresceu de costas para o rio e para a floresta”.
