Economia criativa ganha espaço no FIINSA com moda, gastronomia, turismo e atrações culturais

Amazonas

Trilha Encantar reúne empreendedores, artistas e lideranças comunitárias para discutir como a cultura amazônica gera renda, valoriza os territórios e contribui para a conservação da floresta

A economia criativa estará presente em diferentes momentos da quarta edição do Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA), que acontece de 3 a 5 de novembro, em Manaus. Além de uma trilha temática dedicada ao setor, o evento incorpora manifestações da arte, do artesanato, da gastronomia e da música à experiência dos participantes, desde o credenciamento até a celebração de encerramento.

Com a trilha “Encantar”, o festival reunirá artistas, empreendedores, representantes de comunidades tradicionais e lideranças indígenas para discutir o potencial econômico da cultura amazônica, da moda, da gastronomia e do turismo. A proposta é mostrar como as atividades ligadas à identidade cultural da região podem gerar oportunidades de negócios, ampliar mercados e contribuir para a conservação da floresta.

Uma das iniciativas é a criação de uma instalação artística coletiva formada pelo próprio público. Cada participante receberá, no credenciamento, uma peixete (pochete em forma de peixe), peça criada pela artista Luzimere Damasceno, da empresa Alternativa da Amazônia. A ideia é transformar os participantes em parte de um grande rio simbólico, com peixes circulando pelos espaços do festival.

Os crachás também terão um elemento da produção artesanal amazônica, com trançados em fios de tucum confeccionados pela artesã Neide Garrido, da iniciativa Entrelaçando Gerações, que fica na comunidade do Tumbira. Já os almoços e cafés ficarão sob responsabilidade da Cozinha Boca da Mata, de Renata Peixe-Boi, e da Aretê Delícias Regionais, de Sigryd Nascimento.

A escolha dessas fornecedoras integra uma curadoria que valoriza o trabalho de mulheres micro e nanoempreendedoras, mostrando como a economia criativa pode participar da cadeia de serviços de grandes eventos e gerar oportunidades para pequenos negócios locais.

“A economia criativa não aparece no FIINSA apenas como tema de debate. Ela está presente naquilo que as pessoas vão vestir, experimentar, consumir e compartilhar durante o festival. Queremos mostrar que a cultura amazônica também movimenta negócios, gera renda e abre oportunidades para empreendedores que muitas vezes estão fora dos grandes circuitos de investimento, sendo parte fundamental da nova economia da Amazônia”, afirma Juliana Teles, coidealizadora do FIINSA e cofundadora do Impact Hub Manaus e da Azô Capital.

Da periferia à moda ancestral

A trilha “Encantar” terá quatro painéis dedicados a diferentes segmentos da economia criativa. Um deles, “Amazônia urbana: periferia como polo, não como ponta”, discutirá a produção cultural das periferias como atividade econômica e expressão da identidade amazônica.

O debate reunirá Dacota MC, da música; Jéssica Valois, cofundadora do coletivo Ponta de Lança; a DJ e produtora cultural Yasmin Feitosa, cofundadora da moda urbana decolonial Cepeco Company; e Yonar Marinho, do Centro Cultural Sereia Mística. A mediação será de Drika Albuquerque, da Associação Intercultural de Hip-Hop Urbanos da Amazônia (AIHUUAM).

Outro painel, “Moda ancestral em movimento: criar sem extrair”, abordará a relação entre criação, conhecimentos tradicionais e sustentabilidade. Participam Elijane Nogueira, fundadora da marca de moda sustentável Yanciã; Regina Ramos, fundadora da Sapopema Biojoias; e Valda Barreto, cacique e liderança indígena do povo Baré. A mediação será de Jessilda Furtado, da Amazon Poranga Fashion, considerado o maior evento de moda autoral e economia criativa do Amazonas. 

A discussão deverá abordar caminhos para transformar referências culturais e saberes ancestrais em produtos e oportunidades econômicas, respeitando a origem desses conhecimentos e os territórios onde são produzidos.
Cultura que se transforma em negócio

O painel “A Amazônia que se come, se veste e se ouve: quando cultura vira produto” reunirá experiências que utilizam elementos da cultura regional na criação de produtos e marcas.

Estão confirmados Joanna Martins, do Instituto Paulo Martins; Juliana Carepa, da Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio); Tainah Fagundes, da Da Tribu, negócios social de Moda Sustentável, da Amazônia; e Zek Picoteiro, do Instituto Regatão Amazônia. A mediação será de Bia Saldanha, da Amazônia Meu Amor, uma empresa dedicada a desenvolver alternativas econômicas e de bioeconomia junto aos povos da floresta. 

“A cultura amazônica tem um valor que vai muito além da expressão artística. Ela carrega conhecimentos, histórias e modos de vida que podem se transformar em produtos e negócios sem perder sua identidade. O desafio é fazer com que esse valor seja reconhecido pelo mercado e que a renda gerada chegue também às pessoas e comunidades que mantêm esses saberes vivos”, pontua Juliana Teles.

O Turismo de Base Comunitária (TSB) também terá espaço na trilha “Encantar”, com o painel “Turismo que transforma territórios”. Participam Bruno Mangolini, da Poranduba, agência de ecoturismo de imersão comunitária; Nilde Silva, da Caboclos House, empreendimento de hospitalidade ribeirinha da Amazônia; Pedro Gayotto, da Vivalá, negócio que desenvolve o turismo sustentável no Brasil; e Tainara Kambeba, jovem indígena e artesã da comunidade Três Unidos. A mediação será de Wildney Mourão, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

O encontro discutirá experiências relacionadas aos territórios amazônicos e às possibilidades de geração de renda para as comunidades, associando visitação, cultura e conservação ambiental.
Música e celebração no encerramento

A programação cultural também marcará o encerramento do FIINSA, com apresentações de Zek Picoteiro, Chora Cachorro e Bumba Meu Bloco. As atrações completam a proposta de integrar a produção artística à programação de negócios e investimentos, mostrando que a economia criativa não estará restrita aos debates, mas também presente na experiência do público.

Realizado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e pelo Impact Hub Manaus, o FIINSA chega à quarta edição com o tema “O futuro aponta para o Norte”. Ao incorporar a economia criativa em diferentes atividades, o festival amplia a discussão sobre os setores capazes de movimentar a economia amazônica, incluindo aqueles que transformam cultura, conhecimento e identidade regional em trabalho, renda e oportunidades de desenvolvimento.

O 4º FIINSA é uma realização do Idesam e do Impact Hub Manaus.

  • Patrocínio: Fundo Vale, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), The Climate and Land Use Alliance (CLUA), Grupo Trigo, Fundo Casa Socioambiental, Soros Economic Development Fund, Bemol, CNP Seguradora e Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), Order, Instituto Arapyaú, Mercado Livre e SEBRAE.
  • Apoio: Bezos Earth Fund, Amazon Investor Coalition (AIC),VOX Capital, Instituto Clima e Sociedade, Consulado da Mulher, Natura, Agência Felicidad, Amaz Aceleradora de Negócios de Impacto, Latimpacto, WRI Brasil, AMZ Bioecon, Marjon.
  • Parceria: Instituto Arumã, Uma Concertação pela Amazônia, Climate Ventures, Manaus Plaza Centro de Convenções, Conexsus, CBA, Fipecafi, Sitawi.
  • Apoio de mídia: Stanford Social Innovation Review Brasil, Página 22, Reset e DRAFT.

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